A abertura de um espaço de alimentação em propriedade rural é uma tendência crescente, impulsionando a economia local e oferecendo experiências autênticas aos visitantes. Contudo, essa expansão exige o cumprimento das normas sanitárias, essenciais para garantir a segurança alimentar e proteger a saúde pública. É neste cenário que o trabalho da Vigilância Sanitária, parte integrante da Secretaria de Saúde, se torna indispensável.
Acompanhamos nesta reportagem o trabalho desenvolvido em duas propriedades do município que contaram com o apoio da Vigilância Sanitária desde o início dos novos negócios para trabalhar com alimentação. A família Petry fez a transição da agricultura familiar para a Padaria Di Casa, e a família Eger agregou valor à produção de morangos com as geleias e hoje conta com um espaço para cafés coloniais e eventos.
Contando com a orientação da Vigilância Sanitária e apoio da Epagri, com incentivos de linhas de crédito, desde o começo foi possível iniciar os negócios e expandir sem precisar fazer alterações.
O trabalho da Vigilância Sanitária abrange os seguintes aspectos:
- Emissão do Alvará Sanitário: O primeiro e mais importante passo é a obtenção do Alvará Sanitário, um documento que atesta que o local atende aos padrões higiênico-sanitários exigidos pela legislação, como a RDC 216/04 da ANVISA. Para isso, a VISA realiza uma inspeção criteriosa da estrutura física (pisos, paredes, ventilação, iluminação), do fluxo de trabalho e da qualidade da água.
- Boas Práticas de Manipulação: A equipe da Vigilância Sanitária capacita os manipuladores de alimentos em Boas Práticas de Fabricação (BPF). Essa formação abrange desde a correta higienização das mãos e dos alimentos até o controle de temperatura e a separação entre crus e cozidos, prevenindo a contaminação e a ocorrência de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA).
- Controle de Qualidade: Em um ambiente rural, desafios adicionais como o uso de água de poço artesiano e a presença de agrotóxicos em hortaliças demandam atenção especial. A VISA orienta sobre a necessidade de laudos periódicos da água e acompanha a rastreabilidade dos insumos, garantindo que o produto final oferecido ao consumidor seja seguro e de qualidade.
Ao atuar com uma visão flexível e parceira, reconhecendo a realidade e as limitações da agricultura familiar, a Vigilância Sanitária facilita a legalização. Os fiscais têm trabalhado para transformar a imagem de "agentes punidores" para "agentes de inclusão produtiva", permitindo que os empreendimentos rurais se desenvolvam com segurança e responsabilidade. O sucesso do turismo rural gastronômico depende diretamente da expertise e do compromisso desta equipe com a saúde da população.
Além das orientações iniciais que a Vigilância Sanitária proporciona, ainda tem o trabalho constante de monitoramento que mantém a segurança do negócio da família, permitindo comercializar seus produtos onde quiserem. Nos casos das duas famílias citadas nesta reportagem, a participação ativa nas feiras faz parte da rotina, inclusive na feira que já é tradicional na Praça da Matriz.